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A Organização do 1º Campeonato Nacional de Demonstração que decorreu no passado dia 10 de Junho deixa uma marca de incapacidade e falta de profissionalismo e uma mancha no Taekwondo Nacional e levanta muitas suspeitas quanto à idoneidade de algumas das pessoas envolvidas.
Tendo defendido desde o início a realização deste evento, não era de esperar que o mesmo fosse implementado nos moldes vergonhosos que pudemos constatar.
Na verdade, ao inscrever 2 equipas nesta prova (de um total de 3 inscritas), fi-lo no pressuposto da adopção de um regulamento por parte da FPT (Regulamento de Competições de Demonstração ETU 2009), e da existência de árbitros com capacidade para avaliar tal competição.
Foi-me informado pelo Director Desportivo da FPT que estariam presentes 3 árbitros espanhóis e por isso a prova teria lugar. Foi ainda distribuído pela FPT um regulamento para a prova com indicações técnicas para a mesma.
Os factos relatados referem-se à competição do escalão de adultos. Neste escalão estava inscrita a nossa equipa – Yonsei Taekwondo Club – Portugal, e outra composta por elementos de 2 clubes, Águias Unidas e Pinhal de Frades.
Após a apresentação de ambas as demonstrações de adultos, estranhámos as notas de apreciação geral mas não foram feitos comentários antes de ver as notas finais. A demonstração da equipa adversária, tendo qualidade técnica, não se insere no que é o modelo de competição de Demonstrações da ETU, que, como sabemos é um decalque do modelo espanhol.
Ao perguntar pelas notas ao Director Desportivo, comecei a perceber que algo se passava de muito estranho.
Então percebi que NINGUÉM tinha sequer lido o regulamento pelo qual se deveria reger aquela prova (é verdade… os árbitros não conheciam o regulamento…!), situação confirmada pelo Presidente do Conselho de Arbitragem da FPT que declarou:
“Não existe regulamento de Demonstração Nacional, eu não conheço nenhum regulamento de demonstração, não houve até ao momento nenhum Curso de Árbitros de Demonstração e pediram-me hoje para fazer isto. Eu reuni alguns árbitros 10 minutos antes e disse-lhes por alto como deveriam proceder, de acordo com o que eu penso. A outra equipa fez mais matérias do que vocês, por exemplo combate, que vocês não fizeram, e por isso a vossa apreciação foi mais baixa.”
Várias conclusões podem ser apontadas neste momento que evidenciam a vergonha da implementação desta prova: • Os árbitros que estiveram a avaliar a prova não tiveram contacto com o regulamento mas apenas uma conversa de 10 minutos com uma pessoa que TAMBÉM não conhecia o dito regulamento; • O anotador era uma pessoa sem graduação suficiente de Taekwondo para conhecer os nomes dos pontapés executados(!); • As avaliações gerais das provas foram dadas como se de uma avaliação de Poomsae se tratasse; • As avaliações gerais foram dadas no pressuposto de existirem matérias obrigatórias, o que contradiz o regulamento; • Não foram considerados os acréscimos de pontuação pela diversidade e dificuldade das técnicas apresentadas; • A equipa adversária utilizou tábuas não regulamentares. O regulamento indica que as tábuas devem ter 40cm x 30cm x 2cm. Eu propus que fossem de 30cm x 30cm por questões de economia de material tendo recebido autorização por escrito dessa proposta. As tábuas da equipa adversária tinham 4cm de espessura; • Não foram somados pontos pela execução de técnicas de alta dificuldade, de acordo com o regulamento;
Percebendo que a situação em curso era muito mais do que um problema de arbitragem, entendi que a única solução era anular a prova e fiz esse pedido por escrito, porque não havia forma de ultrapassar o esquema montado. O Instrutor Sérgio Ramos fez a mesma proposta e eu sugeri que ele colocasse a sua intenção por escrito do mesmo modo que eu fiz. Ambas as equipas apresentaram o seu pedido de anulação da prova.
Cumpre-me neste momento saudar os elementos da equipa das Águias Unidas e Pinhal de Frades que actuaram e deram o seu melhor, e referir que nada tenho (nem temos) contra eles, pessoas que conheço há alguns anos.
Mais ainda, é importante mencionar que quando se trata de competição em que existe um regulamento, não estão em causa gostos pessoais ou opiniões sobre o que é melhor ou pior. Pessoalmente entendo que o regulamento de competição de demonstração da ETU tem lacunas e é fraco.
Não obstante, porque DEVEM ser cumpridos os regulamentos, as opiniões pessoais ficam de fora perante a necessidade de observar o que a LEI estipula.
Respeito a opinião de todos e os consequentes gostos e preferências, DESDE que essas opiniões impliquem a observância das regras e a consequente não-violação da liberdade de terceiros, verdadeiro significado da LIBERDADE.
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